TRANSSEXUALIDADE: O PORQUÊ DA DIFERENÇA
A transsexualidade entrou na literatura médica em 1853 quando Frankel descreveu o caso de S. Blank, cujo corpo examinou postmortem. Blank tinha-se suicidado afogando-se, quando estava quase a ser preso pela polícia. Desde pequeno que aproveitava qualquer oportunidade para disfarçar-se de mulher. Acusado pela lei, foi preso inúmeras vezes pelo seu reiterado travestismo e a sua excessiva afeição à sedução de rapazes jovens, aos quais contagiava as suas doenças venéreas.
O critério de diagnóstico de um caso de transsexualidade seria a observação de uma preocupação persistente sobre como desfazer-se das próprias características sexuais e como adquirir as do outro sexo. Considera -se que um de cada 37 mil homens e uma de cada 108 mil mulheres é a média geral da população transsexual.
Se as condutas homossexuais são relativamente fáceis de compreender, em parte porque também se dão no mundo animal, é mais difícil saber porque existem os transsexuais. Qual é a causa desta conclusão rápida, permanente, irredutível, de que o seu corpo não corresponde à sua mente, «genericamente» distinta? Há uma causa microbiológica distinta que se perde na noite dos tempos do desenvolvimento intra-uterino por um erro na androgenia ou não androgenia hipotálama? Ou trata-se de um transtorno de personalidade? Seria por acaso uma aprendizagem errónea da «consciência do sexo»? E provável que - com diferentes graus - cada um destes factores etiológicos esteja na origem da transsexualidade, ainda que a hipótese biológica seja a que é mais aceite.
As explicações simples não servem para uma síndroma tão estranha à natureza como a transsexualidade. Podem existir diversas causas que afectem os diversos componentes do sexo: rol genérico, identidade do género, orientação erótica ou padrões estabelecidos.
O Tratamento da transsexualidade
A transsexualidade leva associados frequentes transtornos da área neurótica, muitos destes reactivos ou adaptativos à sua situação. A depressão é uma complicação frequente entre os transsexuais. Geralmente trata-se de pacientes muito necessitados e manipuladores, com um grande desgosto psicológico devido à contradição que sentem na sua mente e na sua anatomia sexual, prisioneiros num corpo não desejado. Por isso, impõe-se em muitos casos um tratamento psicoterapêutico e/ou psicofarmacológico. Noutros pode-se tentar uma terapia hormonal e inclusive cirúrgica. O tratamento de hormonas e a intervenção cirúrgica são as duas possibilidades de tratamento mais claras perante uma condição que em muitas ocasiões não aceita outra solução que a procura do equilíbrio mente-corpo.
Antes de se pensar na cirurgia é importante
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